sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Paciência perto do limite

Na última entrevista que concedeu, o prefeito Gustavo Prandini pediu paciência. Em resumo, ele disse que é preciso mais tempo para começar a administrar de verdade. E, logo depois de pedir calma a população, anunciou o cancelamento do carnaval – que havia prometido em campanha. Aliás, cancelamento que ele chamou de adiamento. Comecei até a desconfiar que ele era Deus ou o presidente da República: explico-me: é que é a primeira vez que vejo um prefeito se revestir de poder e dizer que está adiando o carnaval!
A verdade é que ele não cumpriu uma promessa e, ciente de sua irresponsabilidade, já que gastou dinheiro público com anúncios pagos em quase todos os jornais da cidade com a publicidade da festa, foi logo para a uma emissora FM da cidade dizer que adiou a festa. Sem jeito pelo erro, se tornou reincidente, o que é ainda pior. Depois do cancelamento, gastou mais dinheiro a reveria com publicidade, de novo, para informar o cancelamento do carnaval, um desperdício em um momento de crise como esse...
Sem querer polemizar, mas uma dúvida não me sai da cabeça. Aliás, me desculpem a ignorância. A verba para o carnaval, pelo pouco que entendo de políticas públicas, sai do departamento de Cultura. E a das reformas na cidade, de Obras. Então, o que tem a ver asfalto com carnaval?Aliás, a desculpa para o cancelamento do carnaval foi o que o próprio Governo chamou de bloco tapa buracos. Cheguei até a elogiar a motivação. Mas, depois de ver o serviço, que transformou a cidade em uma verdadeira colcha de retalhos, com remendos por todos os lados, confesso que me arrependi profundamente das palavras de apoio, ou melhor, consolo – coisas da profissão.
Ontem, como se não bastasse, acompanhei o relato de uma família humilde que foi maltratada no P.A. (o Pronto Atendimento da cidade). Eles passaram horas e mais horas esperando atendimento no período do carnaval. Inaceitável.Tudo bem que adiaram o carnaval pelas tais prioridades. Isso até passa. O que não podemos aceitar é a queda visível no setor de saúde. O povo não precisa só de asfalto. Precisa de atendimento de qualidade e tem direito de ser atendido com educação – independente de sua classe social. Precisa de obras, educação e, sobretudo, de responsabilidade. Está certo que o Governo está apenas começando e a população espera melhoras e tem que dar esse voto de credibilidade para ele. Afinal de contas, votou nele. Mas, a cada dia que passa, a paciência pedida pelo prefeito, se aproxima do limite.
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